Quase tudo é risível

por Cristina Bresser


Postado em 10 de Março de 2017 às 14:52



 

Sinopse

Mulher prestes a completar 50 anos, ainda traumatizada pela infidelidade do pai e logo após ter se curado de câncer de mama, perde uma amiga assassinada a golpes de martelo num bairro nobre de Curitiba.
Ato contínuo, ela descobre um irmão bastardo que vive num abrigo. Na sequência, reencontra um ex-namorado da juventude que está envolvido com as investigações do crime.
Romance intenso, suspense intrincado, humor inteligente e cenas hilárias, assim como histórias de amor, para equilibrar, sobre o dia a dia de mulheres fortes, bem resolvidas e comuns.
A personagem principal discorre sobre doenças fatais, amizade, ciúmes, ganância e amores antigos. O livro mostra que tudo na vida tem um lado leve, risível, principalmente se contarmos com amigos.
 
Prefácio
 

Em Quase tudo é risível, estamos diante de um daqueles joguinhos de ligar pontos até que, voilà, a imagem do todo apareça. Uma narrativa que dá saltos no tempo e no espaço e que nos sugere as costuras em vez de entregá-las prontas, convidando o leitor para compor o mosaico que formará um corpo coeso à medida que a leitura avance. Trata-se de um desafio estilístico presente tanto na composição macro da obra quanto em seus detalhes sintáticos, uma vez que as convenções da narrativa tradicional são minadas por mudanças súbitas de pontos de vista, transições rápidas entre discurso direto e indireto, e uma pontuação que dá muita fluidez à leitura.

Cristina Bresser acompanha a vertigem dos acontecimentos com uma agilidade que, no entanto, não descuida dos detalhes, das minúcias que temperam a ação das personagens, sobretudo da protagonista, mulher cheia de vitalidade que – ironias espalhadas pelo caminho – flertou com a morte. O leitor vai perceber que há uma alegria vicejante no texto, fruto da escolha das palavras, das comparações risíveis, dos disparos surdos deixados no ar pela protagonista com suas frases diretas e muitas vezes desconcertantes. O ritmo frenético da narrativa decorre de uma personagem com sede de vida. Ou vice-versa?

Se forma também é conteúdo, podemos dizer que estamos diante de um romance cuja estrutura contribui para a série de encontros e desencontros entre as personagens, para a dinâmica das múltiplas relações que ora se fortalecem e ora se fragilizam, tecendo com habilidade a desordem e o caos que compõem a própria vida.

De certo modo, a paixão é quem dá uma unidade latejante a esse Quase tudo é risível, mesmo que – ou melhor, por causa disso – a paixão se relacione tanto com o amor ardente e seu viés mais visível, que é o erotismo, como também com a doença (o pathos grego que origina a patologia) e o sofrimento. Todas essas paixões se encontram aí, à espera do leitor..

Cezar Tridapalli, escritor


Deixe seu comentário


Pesquisa do Blog

Cristina Bresser

Consultoria em Carreira e Desenvolvimento Humano.